A BRICS Strategy and Technology Review (BSTR) é uma revista acadêmica vinculada ao Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+, dedicada ao debate crítico sobre soberania tecnológica, governança de dados, segurança e poder no sistema internacional. Publicada em formato científico e organizada no OJS, a revista reúne contribuições de pesquisadores e especialistas comprometidos com uma leitura estratégica do desenvolvimento tecnológico a partir do Sul Global.
Edição Atual

volume 1, ediçao 1
A primeira edição da BRICS Strategy and Technology Review resulta diretamente dos debates e contribuições do I Seminário em Estratégia, Tecnologia e Soberania, realizado na Universidade de Brasília em 2024, como conferência livre vinculada à 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Organizado pelo Grupo de Trabalho Estratégia, Dados e Soberania do Grupo de Estudos e Pesquisas em Segurança Internacional da Universidade de Brasília (GEPSI IREL UnB) em parceria com o Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), o volume reúne insumos acadêmicos e reflexões estratégicas sobre soberania tecnológica, governança de dados, segurança e poder, consolidando em formato científico um debate coletivo voltado à formulação de agendas próprias para o Sul Global.
INSUMOS ESTRATÉGICOS
O estudo Contratos, Códigos e Controle constitui um insumo estratégico do Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+ realizado em parceria com a FGV e a UnB, e é voltado a compreender como a dependência contratual do Estado brasileiro em relação às grandes empresas de tecnologia estrangeiras reconfigura poder, governança e autonomia pública. A partir do exame sistemático de bases oficiais de compras governamentais, mapeamos os padrões de contratação, valores e atores centrais, revelando como infraestruturas digitais críticas passam a operar sob códigos proprietários e arranjos contratuais pouco transparentes.
Compreendemos que a arquitetura tecnológica consolida formas discretas de controle, com efeitos diretos sobre a soberania digital e a capacidade estatal, e é a partir desse diagnóstico que orientamos nossa atuação no Brasil, articulando pesquisa, formulação de propostas e incidência pública voltadas ao fortalecimento de alternativas soberanas e a uma inserção mais equilibrada do país nas dinâmicas tecnológicas do espaço BRICS+.
Carta BRICS+ Sobre Soberania Digital e Governaça da Internet
A Carta BRICS+ sobre Soberania Digital e Governança da Internet, realizada no escopo da II Conferência em Estratégia, Tecnologia e Soberania, apresenta um marco político-normativo construído pela sociedade civil para afirmar a soberania digital como condição de autonomia, segurança e autodeterminação em um mundo multipolar. O documento sustenta que dados, códigos, infraestruturas e algoritmos são bens estratégicos e propõe onze princípios que articulam governança multilateral, proteção de direitos, cooperação Sul–Sul, transferência tecnológica, defesa cognitiva e sustentabilidade não excludente. Ao combinar diretrizes políticas com mecanismos institucionais e metas verificáveis, a Carta busca orientar Estados do BRICS+ e do Sul Global na construção de capacidades próprias, na redução de dependências estruturais e na consolidação de uma ordem digital mais justa e plural.
A Carta BRICS+ para a Soberania Tecnológica no Espaço
A Carta BRICS+ para a Soberania Tecnológica no Espaço estabelece um marco político e ético para afirmar o espaço como patrimônio comum da humanidade e rejeitar sua apropriação por poucos atores dominantes. O documento organiza dez princípios que defendem autonomia tecnológica, cooperação Sul–Sul, transferência efetiva de conhecimento, governança multilateral, sustentabilidade orbital, soberania algorítmica e a separação clara entre usos civis e militares. Ao propor instrumentos institucionais, fundos comuns, avaliações de risco e infraestruturas compartilhadas, a Carta orienta os países do BRICS+ a transformar capacidades espaciais em poder coletivo, reduzindo dependências estruturais e promovendo um regime espacial mais equitativo, ético e alinhado ao desenvolvimento de longo prazo.



